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[13.5.05]
Hoje, eu escutei numa aula algo que me fez relembrar porque optei pela medicina. Nas palavras do meu professor, Deus faz grandes milagres lá de cima, nós, médicos, fazemos pequenos milagres durante o dia a dia. Eu escutei isso do professor durante uma aula de amputação e desarticulação.
Relatarei aqui duas historias contadas por ele, que serviram para ilustrar essa frase e o conceito de que certas medidas, por mais radicais que pareçam, valem a pena, se forem para manter a vida, claro que uma vida com um certo nivel de conforto e liberdade.
A primeira é de um rapaz, assaltado uns 20 anos atrás no trem da central. Não contentes em assalta-lo, os bandidos o jogaram para fora. Conclusão? Uma perna direita e o pé esquerdo praticamente amputados pelo trem. Para um rapaz atlético, jovem, perder uma perna inteira e parte de outra seria o fim da vida, não? Para ele não foi. Graças à ação rapida do meu professor, as amputações foram feitas de forma correta e o rapaz sobreviveu. Hoje ele é campeão de basquete sobre cadeiras de rodas, casou, é comerciante e tem filhos. Toda vespera de natal a mãe dele liga para o meu professor para agradecer por ter salvo o filho dela. No final das contas, valeu a pena? É obvio que sim.
A outra é de um outro rapaz, nordestino, q chegou com um tumor osseo toando toda a coxa, praticamente. Os medicos, como é padsrão em casos de cancer, amputaram não só a perna quanto uma parte da bacia e dos gluteos. Confesso que fiquei chocado ao ver a foto dele recem operado, parecendo um saci branco. Quando o professor perguntou se alguem achava que valia a pena ter feito, se dava para ter uma vida normal assim, um silencio sepulcral tomou conta da sala. Logo depois ele mostrou uma foto desse rapaz, meses depois, com a namorada. Forte, corado, sorrindo e ela tambem, bem diferente da foto anterior à operação. Eles tiveram um filho e, dois depois da operação, o rapaz apresentou uma metastase ampla e veio a falecer rapidamente. Como jmustificado pelo professor: valeu a pena pois o rapaz teve sua vida prolongada, viveu bem boa parte desses dois anos e até teve um filho.
É desses pequenos milagres que ele falava, da maneira de salvar alguem de uma tragédia e tanto e, mais ainda, de mostrar às pessoas que dá para ter uma vida, apesar das adversidades. É por isso que escolhi essa carreira, para ajudar a executar esses milagres, para ajudar a preservar aquilo que temos de mais sagrado: a vida.
A maior coincidência é que outro dia eu li um post de uma amiga em seu blog onde ela estranhava o fato de ter encontrado seu antigo professor de artes marciais feliz, sorridente, mesmo estando de bengala, sem poder estar dando aulas daquilo que gosta. Espero que ela leia esse post e entenda aquilo que meu professor me mostrou e que eu tentei passar a vocês: Enquanto há vida, semprte haverá esperança, que todos podemos superar as adversidades da vida e irmos em frente, basta termos força de vontade, basta queremos viver, pois, de resto, se dá um jeito.
Ps: Hoje é o dia das coincidências mesmo. Saindo do metrô, no final da tarde, vi duas senhoras, já velhinhas, conversando animadamente, as duas em cadeiras de rodas, mostrando que não é porque elas estão presas às cadeiras que a vida acabou e que elas não podem ser felizes.
Uma ótima sexta feira 13 para vocês.
por Lucas * 9:45 PM
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